Desde 2020, as empresas estudam rotas de produção de ferro e aço com menor emissão. Um dos marcos foi o teste de minérios de Pilbara da BHP no forno de redução direta a hidrogênio da China Baowu, com capacidade de um milhão de toneladas por ano. Segundo a BHP, o ferro produzido apresentou cerca de metade da intensidade de CO₂ do metal obtido pela rota de alto-forno. O material também avançou para testes em forno elétrico de fusão em escala piloto, indicando potencial técnico para uma rota próxima de zero emissão dentro da fronteira de avaliação divulgada.
A cooperação começou por um problema comum
Descarbonizar a siderurgia não é trocar um único equipamento. Teor e mineralogia do minério, ganga, qualidade da pelota, redutibilidade, matriz energética, operação do forno e fusão posterior fazem parte do mesmo sistema.
Para a mineradora, importa entender como seus produtos se comportarão nas rotas siderúrgicas futuras. Para a usina, o desafio é reduzir emissões mantendo produtividade, qualidade, segurança e competitividade.
A BHP contribuiu com conhecimento do minério, engenharia de produto e visão do mercado global. A China Baowu trouxe competência metalúrgica, experiência operacional e infraestrutura industrial. A colaboração foi estruturada em torno de uma pergunta real, e não da tentativa de encaixar um produto pronto.
Escala industrial transforma pesquisa em experiência de operação
O uso de um forno de redução direta de um milhão de toneladas por ano permite observar interações que um ensaio de bancada não reproduz. Propriedades do minério passam a interagir com preparação de carga, fluxo de gás, regime térmico, automação, manuseio do produto e fusão.
Operação, manutenção, segurança e gestão também entram no desenvolvimento. O aprendizado resultante inclui não apenas metalurgia, mas procedimentos, limitações, competências e prioridades de melhoria.
O resultado de aproximadamente 50% da intensidade de CO₂ do metal de alto-forno é relevante. Deve, porém, ser entendido dentro das condições e fronteiras declaradas; não significa que qualquer blend, matriz energética ou planta obterá o mesmo desempenho.
Uma trajetória em etapas sustentou a continuidade
O programa seguiu uma lógica prática:
pesquisa conjunta → testes de matéria-prima e processo → redução direta em escala industrial → avaliação de fusão → nova etapa de demonstração
Cada fase produziu informações para a decisão seguinte. É uma abordagem mais robusta do que esperar que um único teste resulte imediatamente em implantação global.
A renovação por cinco anos é um sinal empresarial importante: o conhecimento gerado e a capacidade de trabalhar em conjunto foram considerados valiosos o suficiente para novo investimento.
A participação chinesa vai além da manufatura
A China Baowu não atua apenas como compradora de minério ou receptora de tecnologia. Ela oferece ativos industriais, conhecimento metalúrgico, equipes de operação e capacidade de pesquisa. O centro de conhecimento em metalurgia de baixo carbono, formado com a Monash University, conecta o programa à formação de pessoas e à pesquisa aplicada.
Para fornecedores chineses de tecnologia mineral, a internacionalização pode avançar em cinco níveis:
- exportação do equipamento;
- adaptação à aplicação local;
- participação em teste industrial;
- codesenvolvimento com o operador;
- criação conjunta de métodos, experiência e padrões.
Nos estágios mais altos, o relacionamento deixa de depender apenas de CAPEX ou ficha técnica, pois o fornecedor passa a contribuir para uma prioridade estratégica do cliente.
Cinco práticas aplicáveis ao mercado internacional
Começar pela dor estratégica do cliente
Produtividade, recuperação, energia, água, segurança, emissões e confiabilidade devem orientar a proposta.
Reunir competências complementares
Fabricante, operador, engenharia, universidade, parceiro digital e assistência regional podem compor um programa único.
Validar em condições reais
O laboratório confirma princípios; a planta industrial demonstra a interação com processo, pessoas, energia e manutenção.
Definir gates de decisão
Cada etapa deve estabelecer objetivo, método, responsável pela validação e critério para expansão.
Desenvolver conhecimento e pessoas
Treinamento, equipes conjuntas, governança de dados e regras de propriedade intelectual sustentam a cooperação além do primeiro ativo.
Visão da NOVEXA MINING
O programa BHP–China Baowu ainda não comprova aplicação comercial universal de uma rota siderúrgica próxima de zero emissão. CAPEX, energia, custo operacional, flexibilidade de carga e integração em grande escala continuam como temas da próxima fase.
Mesmo assim, o avanço é concreto: houve teste industrial, resultado quantitativo dentro da fronteira divulgada, avaliação subsequente e confiança para renovar a parceria.
Para empresas chinesas, a mensagem é encorajadora. A entrada no mercado global pode ser construída pela compreensão do problema do cliente, pela combinação de parceiros e por uma validação progressiva apoiada por execução local.
A NOVEXA MINING estrutura essa jornada, da inteligência de oportunidade e alinhamento de parceiros ao teste, implantação regional e suporte de ciclo de vida, de forma independente e neutra em relação a fabricantes.
Fonte e declaração de independência
Fonte: BHP, *BHP and China Baowu renew steel decarbonisation partnership*, 21 de setembro de 2026.
Este artigo utiliza informações públicas. Sua publicação não cria relação de representação, promoção conjunta ou endosso entre NOVEXA MINING, BHP, China Baowu ou Monash University. O resultado divulgado aplica-se à fronteira de avaliação informada e não equivale a desempenho comercial universal. O texto não constitui recomendação de engenharia, compras, investimento ou certificação de emissões.
